terça-feira, 4 de dezembro de 2012

time goes by

Sim, o tempo passa ... e oh, com que rapidez, com que agitação. Com que tudo, e ao mesmo tempo, com que nada.


Sento-me. O meu espírito vagueia por todos cantos da varanda: pelas pequenas pétalas de girassol, estendidas ao longo do velho chão de madeira; pela areia que acompanha o vento sempre que este decide aparecer; pela grande cadeira de baloiço verde escura, que deambula de trás para a frente e de frente para trás, num baloiçar gracioso, dançante até ...
Fecho os olhos e mordo ligeiramente o polegar. Sinto o cheiro do mar a atravessar cada centímetro do meu corpo. Ouço as gaivotas voar, o bater das suas asas, ofegante. Ouço a brisa inquieta, a chamar tudo o que encontra pelo caminho, nunca se sabendo o que diz. Sinto o teu coração bater, oh, e que vivo está. Sinto a tua imagem, adormecida pelo baloiçar da cadeira, calma, serena, como se o mundo fosse o paraíso. Ouço os teus óculos  a tremer com o vento suave, na mesinha de cortiça, onde está também o livro que ainda à instantes atrás lias avidamente. Sinto o meu amor por ti crescer a cada momento, a cada sensação, a cada bater de asas.

Deixo de morder o dedo, deixo cair a mão e abro os olhos, lentamente. A claridade cega-me por uns instantes, mas logo tudo começa a focar. Está tudo na mesma, tudo igual. As pétalas, a areia esvoaçante, o mar, as gaivotas apressadas, a brisa que sussurra este mundo e o outro ... mas olho para a cadeira, e desapareceste. Não ouço o teu coração, ou os teus óculos a tremer. Não ouço o teu riso, não ouço o teu falar sobre tudo e nada, não ouço os teus disparates, ou nomes e brincadeiras que me deixavam fora de mim! Não ouço o teu amor ... o nosso amor. Não ouço as manhãs sentadas nesta mesma varanda, a falar sobre tudo ou simplesmente a olhar para nada. Não ouço os fins de dia passados aqui, deitada no teu colo, a contar todas as estrelas visíveis no céu, enquanto me acariciavas o cabelo e dizias baixinho que não querias saber se o céu tinha 50 ou 20.000 estrelas, porque já tinhas a tua. Não te ouço dizer "Nunca me deixes"...

Nunca mais o ouvi, mas todos os dias espero, nesta mesma varanda, porque pediste ... e não, nunca te vou deixar*


everything changes, and it hurts, so much ...but with time, the pain goes away.
But wounds? No, those are forever.