Paro. Olha tudo à minha volta, e tudo parece ter deixado de fazer sentido. Com a cabeça descansada nos braços, sinto que o mundo do qual um dia fiz parte, sem me aperceber, me deixou para trás. O meu mundo.
Hoje, enquanto a conversa ia acesa, os risos abafavam o vento, e tudo parecia deixar de importar, porque naquele momento, éramos nós. Por momentos fechei os olhos, só para absorver cada cheirinho, cada movimento ... até que deixei de ouvir. Assustada, abri os olhos, e todos as minhas forças falharam quando um grito seco e quase inaudível tentou sair da minha boca. Caí de joelhos, sem qualquer reacção, completamente inanimada. Olhava um vazio enorme, aquele que sentia no coração. Naquele preciso instante, tudo fez sentido. Eu era espectadora da minha própria vida. As lágrimas caíam como sempre caíram, comigo. Quanto a isso, sei que não me posso queixar, porque sempre que caí, elas caíram comigo.
Nunca mais consegui voltar a fazer parte da minha vida. Umas vezes, nem me apercebo, ou penso no assunto, outras ... outras vezes são como hoje, em que me sinto a única pessoa no mundo, que tudo está em pausa, e eu ando as voltas, sem qualquer direcção ou objectivo.
As vezes, o melhor é mesmo dizer "já chega". Existe um diferença muito grande entre viver ... e existir ...
e eu existo, e estou cansada de fingir.