Quem não se engana a escrever? Quem não comete erros? Quem não pensa em rebobinar o passado?
As miragens são tão reais e tão falsas ao mesmo tempo. Quando é que me tornei uma? Feliz, triste, sei lá, nada é preto no branco agora. Tanto o sol está lá no alto, a queimar-me deliciosamente a pele, como chega a noite e a lua não aparece.
Fundo-me tão bem com a escuridão, as vezes só quero ser parte dela. Mas não deixa. Seria tão fácil, tão indolor. Tenho-a tatuada, bem no centro ... mas por opção própria, engraçado.
Tenho saudades de quando não éramos, mas não vivo sem ela nos dias que correm.
Desculpa. Eu não queria. Mas é. E preciso de alguém que me apanhe, mas que não faça perguntas. Ou melhor, penso que preciso, porque no fundo, não quero ser salva.
Porque nunca vai parar.
É possível ser feliz assim? As vezes parece que sim, mas apercebo-me que é momentâneo. Completamente momentâneo. Sempre à espera que algo quebre, que a notícia chegue, que a respiração pare.
"sente, não tenhas medo."
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
giríssimas.
E assim passa o tempo. Vamos crescendo e percebendo. Percebendo que com o acrescentar dos anos, tudo dói mais e tudo dói menos, tudo fica mais turvo e tudo mais claro. Que a música deixa de fazer sentido e que nada tem mais sentido que a música. Anos passam, anos onde o chá é confundido com cerveja e a cerveja com o chá. Anos onde o amor se confunde com paixão e paixão com amor. Mas, como tudo que tem os seus dois lados, existem momentos com apenas um. Aquele bocadinho em que tudo é certo, em que tudo tem significado. Aquele momento em que a dor é dor, o amor é amor, e a vida é a vida ... e é nesse momento que a felicidade acerta em cheio no coração ... e nesse instante, tudo brilha, tudo vale a pena.
Obrigada por tudo.
Obrigada por tudo.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Porque sim.
Hoje, escolhi como vou viver.
Sentei-me, cansada de mais um dia exaustivo e ao mesmo tempo, tão cheio de nada. Tudo ficou mais calmo. Sentia cada movimento do meu corpo, desde o coração a bater, ao fechar e abrir lento das pálpebras ... até acabarem por cerrar. Imagens, momentos, sonhos, voam sem destino, cruzando cada espaço da minha mente. Bocadinho a bocadinho, tudo em mim são sensações de, partilha, carinho, perdão, paciência, riso ... tudo que de extraordinário há neste nosso mundo. E então, uma pequena gota aparece e desliza suavemente pela minha bochecha rosada e quente. Com o coração a mil e ainda sem querer acordar para o real, pus a mão no peito e fechei os olhos com ainda mais força ... agora, mais gotas faziam companhia à primeira.
O amor consegue ser tão grande, tão forte ... torna tudo tão mais fácil, tão mais difícil, tudo tão mais digno de se viver.
Ama tudo, tudo mesmo. Desde a pequena flor no meio da estrada, à imensidão do céu ... porque acredita, tudo faz parte de ti, e tu ... tu fazes parte de tudo.
amo-te.
sábado, 26 de outubro de 2013
Existir.
Paro. Olha tudo à minha volta, e tudo parece ter deixado de fazer sentido. Com a cabeça descansada nos braços, sinto que o mundo do qual um dia fiz parte, sem me aperceber, me deixou para trás. O meu mundo.
Hoje, enquanto a conversa ia acesa, os risos abafavam o vento, e tudo parecia deixar de importar, porque naquele momento, éramos nós. Por momentos fechei os olhos, só para absorver cada cheirinho, cada movimento ... até que deixei de ouvir. Assustada, abri os olhos, e todos as minhas forças falharam quando um grito seco e quase inaudível tentou sair da minha boca. Caí de joelhos, sem qualquer reacção, completamente inanimada. Olhava um vazio enorme, aquele que sentia no coração. Naquele preciso instante, tudo fez sentido. Eu era espectadora da minha própria vida. As lágrimas caíam como sempre caíram, comigo. Quanto a isso, sei que não me posso queixar, porque sempre que caí, elas caíram comigo.
Nunca mais consegui voltar a fazer parte da minha vida. Umas vezes, nem me apercebo, ou penso no assunto, outras ... outras vezes são como hoje, em que me sinto a única pessoa no mundo, que tudo está em pausa, e eu ando as voltas, sem qualquer direcção ou objectivo.
As vezes, o melhor é mesmo dizer "já chega". Existe um diferença muito grande entre viver ... e existir ...
e eu existo, e estou cansada de fingir.
Hoje, enquanto a conversa ia acesa, os risos abafavam o vento, e tudo parecia deixar de importar, porque naquele momento, éramos nós. Por momentos fechei os olhos, só para absorver cada cheirinho, cada movimento ... até que deixei de ouvir. Assustada, abri os olhos, e todos as minhas forças falharam quando um grito seco e quase inaudível tentou sair da minha boca. Caí de joelhos, sem qualquer reacção, completamente inanimada. Olhava um vazio enorme, aquele que sentia no coração. Naquele preciso instante, tudo fez sentido. Eu era espectadora da minha própria vida. As lágrimas caíam como sempre caíram, comigo. Quanto a isso, sei que não me posso queixar, porque sempre que caí, elas caíram comigo.
Nunca mais consegui voltar a fazer parte da minha vida. Umas vezes, nem me apercebo, ou penso no assunto, outras ... outras vezes são como hoje, em que me sinto a única pessoa no mundo, que tudo está em pausa, e eu ando as voltas, sem qualquer direcção ou objectivo.
As vezes, o melhor é mesmo dizer "já chega". Existe um diferença muito grande entre viver ... e existir ...
e eu existo, e estou cansada de fingir.
sábado, 28 de setembro de 2013
saudade.
Um dia disseram-lhe "aproveita, antes que seja tarde demais" ...
Todos os dias tentava aproveitar ao máximo, mas quando chegava a noite uma sensação estranha aparecia, como se tudo o que fazia e acontecia tivesse, de algum modo, ser pensado ou reflectido ... Então, sem se aperceber, deixou de saber viver.
Dias e noites passaram, e com eles levaram a pequena menina, dando lugar a uma mulher ... uma mulher de olhos apáticos, conduzida por horários e obrigações, programada a seguir todos os passos que antes dera.
Um dia, enquanto caminhava, reparou numa rosa que brotava no meio do passeio. Sem pensar, seguiu a bonita flor, e quando, pela primeira vez levantou os olhos do chão, viu tudo. Tudo o que perdera quando decidiu que havia de aceitar tudo o que lhe dissessem ... Então, chorou. Chorou de saudades, tantas saudades ... as lágrimas caiam pelo rosto sem cessar, enquanto as mãos tentavam enxuga-las em vão ... quando, devagar, olhou para o céu, um sorriso se rasgou de orelha a orelha, de tal maneira maravilhoso, que as nuvens que choravam também por pena, se abriram num sol repentino e glorioso, espantando tudo onde reluzia. O cinzento que a prendia tinha desaparecido! Rodopiou de um lado para o outro, cantando com as andorinhas, dançando com as borboletas, correndo de um lado para o outro, como se tivesse acabado de nascer! ... até que parou. Estendeu os braços, como se abraçasse o mundo inteiro, continuando a olhar para o céu, mas desta vez, focando algo para além do que via ... com um suspiro disse: "Agora percebo o que me disseste. E eu aproveitei, sei que aproveitei ao máximo. A saudade que sinto é o resultado de tudo que um dia foi maravilhoso. Obrigada Mãe."
Nesse dia, um caminho diferente foi percorrido, e muitos mais se seguiram.
Nunca mais nada foi igual, nunca mais nada foi cinzento ... e todos os dias, quando saía de casa, pronta a desvendar um novo caminho, olhava o céu, deixando cair uma lágrima ... uma pequena gota que reluzia com a luz radiante de mais um dia, significado da saudade de algo que um dia foi tudo o que conhecia e precisava, e que hoje, não passava de uma memória ... mas no fundo, sabia que essa memória a acompanharia para sempre, todos os dias, qualquer que fosse a direcção que decidi-se tomar.
*
Todos os dias tentava aproveitar ao máximo, mas quando chegava a noite uma sensação estranha aparecia, como se tudo o que fazia e acontecia tivesse, de algum modo, ser pensado ou reflectido ... Então, sem se aperceber, deixou de saber viver.
Dias e noites passaram, e com eles levaram a pequena menina, dando lugar a uma mulher ... uma mulher de olhos apáticos, conduzida por horários e obrigações, programada a seguir todos os passos que antes dera.
Um dia, enquanto caminhava, reparou numa rosa que brotava no meio do passeio. Sem pensar, seguiu a bonita flor, e quando, pela primeira vez levantou os olhos do chão, viu tudo. Tudo o que perdera quando decidiu que havia de aceitar tudo o que lhe dissessem ... Então, chorou. Chorou de saudades, tantas saudades ... as lágrimas caiam pelo rosto sem cessar, enquanto as mãos tentavam enxuga-las em vão ... quando, devagar, olhou para o céu, um sorriso se rasgou de orelha a orelha, de tal maneira maravilhoso, que as nuvens que choravam também por pena, se abriram num sol repentino e glorioso, espantando tudo onde reluzia. O cinzento que a prendia tinha desaparecido! Rodopiou de um lado para o outro, cantando com as andorinhas, dançando com as borboletas, correndo de um lado para o outro, como se tivesse acabado de nascer! ... até que parou. Estendeu os braços, como se abraçasse o mundo inteiro, continuando a olhar para o céu, mas desta vez, focando algo para além do que via ... com um suspiro disse: "Agora percebo o que me disseste. E eu aproveitei, sei que aproveitei ao máximo. A saudade que sinto é o resultado de tudo que um dia foi maravilhoso. Obrigada Mãe."
Nesse dia, um caminho diferente foi percorrido, e muitos mais se seguiram.
Nunca mais nada foi igual, nunca mais nada foi cinzento ... e todos os dias, quando saía de casa, pronta a desvendar um novo caminho, olhava o céu, deixando cair uma lágrima ... uma pequena gota que reluzia com a luz radiante de mais um dia, significado da saudade de algo que um dia foi tudo o que conhecia e precisava, e que hoje, não passava de uma memória ... mas no fundo, sabia que essa memória a acompanharia para sempre, todos os dias, qualquer que fosse a direcção que decidi-se tomar.
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012
time goes by
Sim, o tempo passa ... e oh, com que rapidez, com que agitação. Com que tudo, e ao mesmo tempo, com que nada.
Sento-me. O meu espírito vagueia por todos cantos da varanda: pelas pequenas pétalas de girassol, estendidas ao longo do velho chão de madeira; pela areia que acompanha o vento sempre que este decide aparecer; pela grande cadeira de baloiço verde escura, que deambula de trás para a frente e de frente para trás, num baloiçar gracioso, dançante até ...
Fecho os olhos e mordo ligeiramente o polegar. Sinto o cheiro do mar a atravessar cada centímetro do meu corpo. Ouço as gaivotas voar, o bater das suas asas, ofegante. Ouço a brisa inquieta, a chamar tudo o que encontra pelo caminho, nunca se sabendo o que diz. Sinto o teu coração bater, oh, e que vivo está. Sinto a tua imagem, adormecida pelo baloiçar da cadeira, calma, serena, como se o mundo fosse o paraíso. Ouço os teus óculos a tremer com o vento suave, na mesinha de cortiça, onde está também o livro que ainda à instantes atrás lias avidamente. Sinto o meu amor por ti crescer a cada momento, a cada sensação, a cada bater de asas.
Deixo de morder o dedo, deixo cair a mão e abro os olhos, lentamente. A claridade cega-me por uns instantes, mas logo tudo começa a focar. Está tudo na mesma, tudo igual. As pétalas, a areia esvoaçante, o mar, as gaivotas apressadas, a brisa que sussurra este mundo e o outro ... mas olho para a cadeira, e desapareceste. Não ouço o teu coração, ou os teus óculos a tremer. Não ouço o teu riso, não ouço o teu falar sobre tudo e nada, não ouço os teus disparates, ou nomes e brincadeiras que me deixavam fora de mim! Não ouço o teu amor ... o nosso amor. Não ouço as manhãs sentadas nesta mesma varanda, a falar sobre tudo ou simplesmente a olhar para nada. Não ouço os fins de dia passados aqui, deitada no teu colo, a contar todas as estrelas visíveis no céu, enquanto me acariciavas o cabelo e dizias baixinho que não querias saber se o céu tinha 50 ou 20.000 estrelas, porque já tinhas a tua. Não te ouço dizer "Nunca me deixes"...
Nunca mais o ouvi, mas todos os dias espero, nesta mesma varanda, porque pediste ... e não, nunca te vou deixar*
everything changes, and it hurts, so much ...but with time, the pain goes away.
But wounds? No, those are forever.
Sento-me. O meu espírito vagueia por todos cantos da varanda: pelas pequenas pétalas de girassol, estendidas ao longo do velho chão de madeira; pela areia que acompanha o vento sempre que este decide aparecer; pela grande cadeira de baloiço verde escura, que deambula de trás para a frente e de frente para trás, num baloiçar gracioso, dançante até ...
Fecho os olhos e mordo ligeiramente o polegar. Sinto o cheiro do mar a atravessar cada centímetro do meu corpo. Ouço as gaivotas voar, o bater das suas asas, ofegante. Ouço a brisa inquieta, a chamar tudo o que encontra pelo caminho, nunca se sabendo o que diz. Sinto o teu coração bater, oh, e que vivo está. Sinto a tua imagem, adormecida pelo baloiçar da cadeira, calma, serena, como se o mundo fosse o paraíso. Ouço os teus óculos a tremer com o vento suave, na mesinha de cortiça, onde está também o livro que ainda à instantes atrás lias avidamente. Sinto o meu amor por ti crescer a cada momento, a cada sensação, a cada bater de asas.Deixo de morder o dedo, deixo cair a mão e abro os olhos, lentamente. A claridade cega-me por uns instantes, mas logo tudo começa a focar. Está tudo na mesma, tudo igual. As pétalas, a areia esvoaçante, o mar, as gaivotas apressadas, a brisa que sussurra este mundo e o outro ... mas olho para a cadeira, e desapareceste. Não ouço o teu coração, ou os teus óculos a tremer. Não ouço o teu riso, não ouço o teu falar sobre tudo e nada, não ouço os teus disparates, ou nomes e brincadeiras que me deixavam fora de mim! Não ouço o teu amor ... o nosso amor. Não ouço as manhãs sentadas nesta mesma varanda, a falar sobre tudo ou simplesmente a olhar para nada. Não ouço os fins de dia passados aqui, deitada no teu colo, a contar todas as estrelas visíveis no céu, enquanto me acariciavas o cabelo e dizias baixinho que não querias saber se o céu tinha 50 ou 20.000 estrelas, porque já tinhas a tua. Não te ouço dizer "Nunca me deixes"...
Nunca mais o ouvi, mas todos os dias espero, nesta mesma varanda, porque pediste ... e não, nunca te vou deixar*
everything changes, and it hurts, so much ...but with time, the pain goes away.
But wounds? No, those are forever.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Adeus.
Neste momento, nem sei bem em que pensar. Todo o tipo de
sentimentos, imagens, sons, cores, sombras, me entram na mente. Viajam
incansavelmente, como se procurassem algo, que nem eles próprios sabem o que é.
Como eu.
O que eu procuro, o que eu desejo, o que me faz feliz, o que
me consegue levantar todos os dias e viver o mundo, eu já não o encontro. E se
soubesses o quanto dói o ter perdido.
Dói … já nem sei mais o que dói, de tão banal que passou a
ser a dor.
Sonho que os meus sonhos me escapam entre os dedos, sem
poder fazer nada.
Vejo-os dizerem-me adeus sem preocupação, e eu grito, eu
suplico-lhes que voltem, eu corro o máximo que posso, até me doerem as pernas, até
cair, até as lagrimas romperem os meus olhos em sofrimento … até que paro. Paro, e vejo-os a desaparecer da minha vida, sem força ou coragem para os mandar voltar ...e eles cada vez
mais longe.
E assim, sem deixar rasto, desaparecem …
Podia dizer que vivo na esperança que eles voltem, mas a
esperança foi criada para os fortes, os fracos ficam-se pela saudade de algo
que tiveram e deixaram ir.
Amo-te*
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