sábado, 17 de setembro de 2011

"quando abres os olhos, enfrentas a realidade."

"Eu amo-te. - disse ele.
O meu coração parou.
Todos gritavam "feliz 2008", e eu parada no tempo, completamente extasiada, perplexa.
Fechei os olhos, pensando que quando os abrisse, tudo não tinha passado de um sonho, como sempre acontecera ... mas em vez disso, deixei-os fechados e apreciei o momento mais um pouco.
Sentia-te cada vez mais perto, mas antes que pudesse pensar, os teus lábios tocaram os meus ... de uma forma tão graciosa e leve, que um arrepio me percorreu o corpo inteiro.
Não ousei abrir os olhos.
Este era, sem duvida, o sonho mais bonito e realista que alguma vez tivera, e que jamais se iria repetir.

As tuas mãos envolveram-me num aperto de ternura e paixão, deixando-me sem fôlego. Percebeste a minha inquietação, e recuaste ... mas, sem abrir os olhos, num gesto só, fiz-te entender que o caminho estava livre para fazeres o que quisesses.
Eu era tua.
Abraças-te-me com força e respiras-te fundo, soltando depois um suspiro tão quente e acolhedor, que me cobriu por inteiro as costas, e que me provocou a maior sensação de felicidade que alguma vez tivera.
Queria tanto abrir os olhos e ver-te ali comigo ... mas tinha tanto medo de "acordar" ...
Ficaria assim adormecida a vida toda, agarrada a ti, sem nunca te deixar ir, se me fosse permitido ... mas não é.

Os sonhos ... são sonhos.

Por fim, a muito custo, abri os olhos.
Primeiro, tudo apareceu um pouco desfocado e turvo.
Pouco depois, o mundo começou a ganhar forma. Estava escuro. Olhei para o lado, e lá estava a cama da minha irmã. Ao lado, a mesinha de cabeceira, a roupa pendurada no cabide ...
Fechei os olhos com força e implorei que voltasses ... mas não voltaste. Nunca mais voltaste.
As vezes pergunto-me o que teria acontecido, se não tivesse aberto os olhos.
Desculpa ...


amo-te."

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