quinta-feira, 21 de julho de 2011

2010.

... e a leve brisa quente de verão acariciava-me a cara, envolvendo o meu corpo inteiro num profundo arrepio, de conforto.
... e ali estava eu, na varanda, a olhar a praia quase deserta, a piscina atulhada de gente, especialmente crianças que saltavam e saiam alegremente da água, repetindo o processo vezes sem conta. Ali estava eu, a assistir ao esconder glorioso do sol, o seu maior e mais belo espectáculo, que mesmo apresentado todos os dias, nunca deixa de ser espantoso ... e ali estava eu, a ouvir-vos a brincar lá dentro. O mesmo de sempre, todos aos empurrões a ver quem chegava ao comando primeiro; ouvia as gargalhadas provocantes que as cócegas produziam uns nos outros; ouvia a televisão a murmurar, e percebia logo que tinham esquecido o tão cobiçado comando, pois o que se ouvia eram as noticias; se apurasse um pouco a minha audição, viajava para o andar de baixo, ouvindo o crepitar da comida nos tachos, e só o som me trazia água à boca; ouvia o barulho dos copos de cerveja a saudarem-se um ao outro com prazer, com jovialidade! ... e depois, voltava a mim. Para qualquer outra pessoa, aquilo seria um ruído incomodo e quase insuportável. Para mim, era uma canção. Uma canção encantadora, anestesiante, cativante, uma mistura de cor-de-rosa com lilás e um cor-de-laranja muito claro com uma pitada de brilho. Era, se me é permitido dizer, o paraíso. 
... e aqui estou eu, a sentir a vossa falta. A sentir a falta da varanda, da praia deserta, da piscina atulhada, do glorioso pôr-do-sol, e por fim, da brisa quente. Mas esta ainda vai aparecendo de vez em quando, acariciando-me o corpo sempre que passa, acariciando-me a alma sempre que se revela ... e muitas vezes, quando ela passa, parece que vos consigo ouvir ao longe ... e por momentos, sinto-me naquela varanda, a desejar, como sempre, nunca ter de partir.http://www.youtube.com/watch?v=cMzFvKuZusE&feature=player_detailpage

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